terça-feira, 27 de junho de 2017

O povo tem o governo que merece?

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O povo tem o governo que merece?

Um velho ditado liberal diz que cada povo tem o governo que merece. Como passei longe dessas doutrinas, sempre tão “modernas” desde o século XVIII e XIX, prefiro achar que cada povo tem o governo que pode, segundo cada circunstância histórica. 
Porém, há governos, como o de Temer, ou os seus antecessores de 1964 a 1985, que são apenas a imposição de grupos sociais poderosos, minoritários ou apoiados em grandes faixas das classes médias, como o que sofremos nos dias de hoje, ou uma combinação de ambos.

O PSDB – partido que mais lutou e luta para representar essas classes médias mais conservadoras e temerosas de cair nas depressões econômicas cíclicas do capitalismo paga hoje com o desprestígio eleitoral, por causa das alianças com o PMDB, do qual se fracionou em 1988. 
Na época, enroupado em vestes social-democratas, o PSDB até disputou contra o PDT de Brizola o assento brasileiro na Internacional Socialista.

Hoje, mais perto do DEM – a fração mais liberal do PDS de Maluf e filho do Arena da ditadura– que das suas origens, o PSDB é controlado por um consórcio de caciques entre os que se destacam no momento a turma do Alckmin e seu sócio traidor, o prefeito Dória, aliada ao obscurantismo do Opus Dei e outras forças medievais, e até mesmo a setores neocapitalistas, vinculados a facções criminosas como o PCC. 

O liberalismo pragmático dos velhos social-democratas franceses e alemães tomou conta do partido do FHC e ele é hoje o que mais confiança desperta nas forças reais do capitalismo nativo, a Fiesp e a FeBraBan, a CNA e os ruralistas, as empresas do agronegócio, a Globo e as classes médias urbanas que as seguem, esperançados em colher algumas migalhas do banquete dos poderosos. 

Pelo outro lado, o dos oprimidos e condenados pelas injustiças do sistema, há ainda um partido e vários movimentos sociais – estes, a meu entender, mais fortes e com mais sensibilidade que o próprio partido-, o PT e as juventudes de esquerda que, sendo o Lula condenado ou não, sendo preso com provas contundentes ou sem elas, sendo barrado das eleições de 2018 ou não, não vai morrer. Há ainda em torno desse núcleo das esquerdas, uma ampla faixa de políticos honestos –alguns poucos ainda no PMDB, no PSB e na Rede- dispostos a levantar bandeiras democráticas, de um certo nacionalismo desenvolvimentista, que também representam vastos setores, hoje calados, da classe média progressista.

Cabe remarcar, sempre, para não cair nas arapucas dos mitos liberais do individualismo (que centram a história em pessoas e suas ações individuais, e não em povos), que mesmo se o Lula vier a ser condenado sem provas, e impedido de se apresentar no pleito de 2018, o vácuo será tão grande que, junto com novas opções à esquerda, crescerão os oportunistas, "salvadores da pátria", sejam eles ao estilo Moro, Bolsonaro ou Marina da Silva. 

O que sim, é inegável, é que o caudal de votos do PSDB caiu, por ter insuflado o ódio social patrocinando movimentos de direita – MBL, Vem pra Rua e outros organizadores da manifestações que deram base ao impeachment de Dilma-, e por ter participado com Serra, Imbassahi, Araújo, Etchegoyen e Aloysio Nunes no governo Temer. E essa direita fascistoide que o PSDB chamou para o golpe agora cresceu e leva votos, impensáveis um ano atrás, para Bolsonaro e sua base neo-pentecostal.

Os povos que pariram os Lulas, tarde ou cedo vão parir outras figuras e expressões, sempre e quando a situação estiver madura para isso. E se não ou se, pior ainda, o Lula terminar condenado com provas reais e inquestionáveis, o que hoje parece muito duvidoso- nada impedirá que o enorme caudal popular do PT se transforme em algo melhor, ainda mais popular, revolucionário e ético. 

A Velha Toupeira não se deprime, não chora, não vai embora do país.

Em tempos de intolerância, de retrocesso e conservadorismo como o que vivemos, o mínimo avanço na igualdade de direitos tem que ser festejada como um modo de impedir o crescimento dos Feliciano, Bolsonaro, Cunha, Malafaia e demais profetas do atraso. 
O PSDB abriu as portas para esses emissários do demônio. As esquerdas vão ter que fechá-las.

JV. Junho de 2017.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A língua e as mudanças segundo as épocas

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A língua e as mudanças segundo as épocas e as influências da Globo nas modas e modismos da nossa classe média.

Antigamente quem chegava a atingir a dor e a delícia de pertencer à classe média, chamava-se a si mesmo de “remediado”. Não era nem rico nem pobre, apenas alguém que tinha conseguido por um certo remédio nas amarguras da vida. Hoje as doutrinas liberais, último grito da moda do século XIX, agregam um novo conceito ao antigo remediado; acontece que o filho do velho batalhador hoje se vê como um “meritocrático”, isto é, alguém que alcançou o seu “nível” e aquinhoou seu patrimônio só e apenas por mérito próprio.

Quem estava bem empregado, uns dez ou quinze anos atrás, dizia trabalhar “numa firma”; uma “firma boa”, acrescentava. Hoje seus filhos falam que trabalham “no corporativo”. Já o desempregado que optava por trabalhar por conta própria era apenas isso, um sofrido autônomo; hoje seus filhos são “empreendedores”.

Antes, quem conseguia guardar uma parte dos seus salários ou ganhos como trabalhador autônomo, dizia estar “fazendo um pé de meia”; hoje seus filhos se consideram “investidores”.

E essa mudança na língua, nos adjetivos e substantivos, apenas acompanha o crescimento de posses e o despertar para o mundo da antiga e pacata classe média, acanhada e tacanha antes, expansiva e ostentosa hoje. Chega de viajar ao Paraguai para trazer muambas! Miami é agora a Meca. Basta de guardar óleo em vidros para usar dez vezes, ou estocar arroz, feijão e óleo, como se uma guerra nuclear estivesse à volta da esquina.

Mas, como já sabemos, há dois formadores de opiniões, modas, modismos e costumes no seio do povo brasileiro. Por um lado, existem as tradições e o folclore que transmitem os modos populares de comportamento; eles costumam ser pouco variáveis de geração para geração, mesmo considerando o progresso social e econômico que o país vive desde os anos 90 em diante, sobretudo pela incorporação de novas tecnologias, que separam a velha TV – ligada na sala ou na cocinha da manhã até a noite-, dos pais e filhos afastados pelos celulares, o whatsapp, o instagram e o facebook

Por outro lado, bem no centro dessas tradições mais populares, existe o que parece ser o principal fator de mudanças e modismos entre aqueles que surfam na onda da mobilidade social. Trata-se da TV, e em particular da Globo, que lança modas, impõe palavras, frases e tiques, rapidamente adotados pela nossa sempre volúvel classe média.
E nessa escalada social que se acelera desde o fim dos anos 90 e se volta vertiginosa entre 2010 e 2015, até palavras ocas surgiram – vejam o caso de “atitude”, por exemplo- que nada significam fora do contexto das populares novelas globais.

Mas assim como a classe média evoluiu nesses 15 anos, incorporando – por baixo, é claro- as camadas pobres mais favorecidas pelas políticas de expansão do crédito e da integração no ensino superior e o consumo, a Globo também se diversificou.  Para os antigos “remediados” – os atuais  meritocráticos, investidores, empreendedores ou executivos “no corporativo” – a Globo criou um canal que é uma espécie de “banco exclusivo”, algo assim como o BB Estilo, ou o Personalité do Itaú, ou o Bradesco Prime, onde o emergente fica de fora, enquanto o velho classe média se diferencia e usa seus novos vocabulários e léxicos específicos. 
A Globo News é esse banco exclusivo, onde a propaganda das Casas Bahia cede lugar ao investidor – conservador ou arrojado–, aos carros de luxo e às reportagens sobre vinhos e azeites, viagens internacionais e entram até literatura e a história.

Pois é, igualzinho ao que acontece no governo com a luta entre  aliados – os feios e cafonas por um lado (novos ricos neo-pentecostais donos de igrejas, atores de fama instantânea e pequenos coronéis de paróquia), representados pelo PMDB com figuras vergonhosas como o Temer ou Cunha–, e por outro lado os “doutores” do PSDB e o Dem. 

A linguagem muda conforme os tempos e segundo os usos sociais de cada classe. Os recém chegados à classe média, ainda guardando óleo usado e assistindo a Globo– canal aberto o dia todo, arrastam falas e costumes da sua origem ainda popular; os novos pequeno-burgueses, donos de pequenas e médias fábricas e comércios, mais livres da agonia dos salários, mas não por isso alheios às angústias que o “deus mercado” lhes impõe, buscam um novo palavreado, mais adequado à nova situação de aliados próximos dos verdadeiros donos do poder.

E enquanto isso...o que foi das velhas samambaias em todo sobrado e apartamento?


JV. Junho de 2017.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

El hundimiento del Maine y la Guerra de Cuba o Hispano-norteamericana.


Telegrama enviado al Capitán James Forsythe, Comandante naval de la base de Key West, por Charles Sigsbee, Capitán del USS Maine notificando el hundimiento del buque.

El hundimiento del Maine y la Guerra de Cuba o Hispano-norteamericana.

El incidente conocido como “hundimiento del Maine” ocurrió en 1898, cuando Cuba era llamada “la última joya del Imperio Español”. El valor comercial y la localización estratégica de la isla de Cuba ya habían provocado varias ofertas de compra por parte de los presidentes estadounidenses John Quincy Adams, James Polk, James Buchanan y Ulysses S. Grant, que España siempre rechazó ya que era de uno de sus territorios más ricos, y el movimiento comercial de La Habana era similar al de Barcelona en la misma época.

Para cuidar los intereses de los estadounidenses en la isla, el gobierno de EEUU envió a La Habana el acorazado Maine. Era una maniobra intimidatoria para provocar a España que seguía firme en rechazar la propuesta de compra de Cuba y Puerto Rico ofrecida por los Estados Unidos.

El hundimiento del Maine

El 25 de enero de 1898, el Maine entraba en La Habana sin avisar previamente su llegada, lo que era contrario a las prácticas diplomáticas de la época e incluso a las actuales. En contrapartida, España envió al crucero Vizcaya al puerto de Nueva York.

El Maine

El 15 de febrero, a las 21 y 40 una explosión hizo volar al Maine por los aires. De los 355 tripulantes, murieron 254 hombres y dos oficiales, la gran mayoría de ellos, negros.
El resto de la oficialidad estaba en un baile ofrecido en su honor por las autoridades españolas.

Sin esperar el resultado de las investigaciones, la prensa amarilla de William Randolph Hearst – el Ciudadano Kane- publicaba al día siguiente:
El barco de guerra Maine partido por la mitad por un artefacto infernal secreto del enemigo”.

Un reporter del diario The World en La Habana, Silvestre Scovell, quiso enviar el siguiente cable:
Un individuo desde un bote arrojó una bomba sobre el acorazado Maine que produjo la explosión…”; el censor alegó que eso era falso, a lo que le contestó: “Sí, pero es sensacional”.

Como el cable fue rechazado, lo mandó oculto por barco a Cayo Hueso y de allí fue transmitido al diario neoyorquino que  publicó la información falsa junto con un gran dibujo de la explosión.

Para determinar las causas de la explosión se crearon dos comisiones de investigación, una española y la otra estadounidense, ya que los últimos se negaban a un equipo mixto. Estados Unidos sostuvo desde el inicio que la explosión había sido provocada y externa.

Sin embargo, la conclusión española decía que la explosión fue debida a causas internas del barco. Los españoles argumentaron que no podía ser una mina como sostenían los estadounidenses, pues no se vio ninguna columna de agua levantándose de abajo hacia arriba y, además, si la causa de la explosión hubiera sido tal, no deberían haber estallado los pañoles de munición. También hicieron notar que tampoco había peces muertos en el puerto, lo que sería normal en una explosión externa.

España negó que tuviera culpa por la explosión del Maine, pero la campaña de los periódicos de William Randolph Hearst, convencieron a los estadounidenses de lo contrario.

EE. UU. acusó a España del hundimiento y dio un ultimátum; le exigía la retirada de Cuba y movilizaba voluntarios aun antes de recibir respuesta. El gobierno español rechazó su supuesta culpabilidad por el hundimiento del Maine y se negó a aceptar el ultimátum estadounidense, declarándole guerra en caso de invasión a sus territórios. Cuba, sin ningún aviso por parte de los EEUU, ya estaba bloqueada por la flota estadounidense.

Sobre el hundimiento del Maine, varios estudios posteriores llegaron a la conclusión de que probablemente la explosión fuera provocada desde dentro del buque, debido a una ignición de la santabárbara, acidente común en los barcos estadounidenses de la época por causa del tipo de carbón usado, ya que hasta la época de la construcción del Maine se había informado de incendios en las carboneras de buques de la Armada antes del hundimiento relatado, muchos de los cuales estuvieron a punto de provocar explosiones.

Javier Villanueva. 15 de junio de 2017.

Ver más en:

https://revistadehistoria.es/el-hundimiento-del-maine-comienza-la-guerra-de-cuba/

domingo, 11 de junho de 2017

¿Existe una bandera del Tahuantinsuyo?


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Hermanos Andinos
Arcoiris de Igualdades 
Ayllu nuestro Whipala
Anunciando libertades
en los Andes, Jallalla.



¿Existe una bandera del Tahuantinsuyo?


El programa “Matéria de Capa”, de la TV Cultura de São Paulo, hablando sobre Cuzco y el Machu Picchu, mostraba un par de años atrás, la "bandera del Imperio Inca". Convencido de nunca haber oído hablar sobre este asunto, ni de haber visto en Cuzco o en Machu Picchu alguna referencia sobre el tema (ví, sí la bandera con los siete colores del arco íris en la alcaldía de Cuzco, pero como un símbolo moderno, que enseguida fue tomado por todos los movimientos pan-indigenistas americanos), fui a investigar y encontré las seguientes informaciones en la Academia de la Historia del Perú:

“El uso oficial de la mal llamada bandera del Tahuantinsuyo es indebido y equívoco. En el mundo pre-hispánico andino no se vivió el concepto de bandera, que no corresponde a sus contexto histórico”. La investigadora de la civilización incaica María Rostworowski, consultada sobre el símbolo multicolorido escribió lo siguiente:

Les doy mi vida, los incas no tuvieron esa bandera: esa bandera no existió, ningún cronista hace referencia a ella”.

Según describe el cronista indígena Joan de Santa Cruz Pachakuti Yanqui Salqamayhua, en épocas antiguas existían estandartes, unas especies de banderas, llamadas “qapac –unancha” en Perú, o “wiphala” en Bolivia, y ambas palabras pueden ser traducidas como bandera, probablemente un símbolo que no representaba al estado incaico y sí, y nada más, al soberano, que pintaba en estos estandarte sus armas y divisas personales, como los escudos y blasones europeos.


Según se sabe hoy, Raúl Montesinos Espejo, el dueño de la Radio Tawantinsuyo, fue quién invento - o creó tal bandera, con las siete fajas, con los colores del arco iris-, para festejar el 25º aniversario de la radio en 1973. 

Más tarde, el símbolo se extendió, hasta que en 1978, la Municipalidad del Cuzco, y el Alcalde Gilberto Muñiz Caparó, declararon la bandera como un emblema oficial de la ciudad. 

Así fue que nació la hoy llamada “bandera del Tahuantinsuyo”.

Javier Villanueva. São Paulo, 11 de junio de 2017.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Las proezas del vasco de la carretilla

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Atilio Ruben Calbucura
Secreta Buenos Aires
Las proezas del vasco de la carretilla 
Entiéndase como un elogio.

Un viejo chiste porteño sostiene que le definición de vasco es: “persona que ve en una puerta un cartelito que dice ‘tire’; entonces, empuja y entra”. Tiene que ver con la fama de tozudos que identifica a los de ese “país” integrado a España. Pero esa característica muchas veces se ha convertido en elogio por la constancia y el esfuerzo habitual en la gente de ese origen. Y quizás un buen ejemplo lo marca la historia de Guillermo Isidoro Larregui Ugarte, más conocido por el apodo que le pusieron los periodistas en la Argentina, su tierra adoptiva: “el vasco de la carretilla”.

El porqué empezó en una reunión de amigos en Cerro Bagual, provincia de Santa Cruz, donde Larregui vivía y trabajaba en los yacimientos de petróleo. En esa charla informal se hablaba de los récords deportivos y los esfuerzos. Entonces dicen que el vasco lanzó, casi en broma, su propuesta. Dijo que él podía ir a pie hasta Buenos Aires, empujando una carretilla cargada con casi 200 kilos. Fue suficiente que alguien dijera “¡a que no!” La aventura duró catorce meses. 
Empezó el 25 de marzo de 1935, cerca de Comandante Luis Piedrabuena, y terminó en la Capital Federal el 24 de mayo de 1936, cuando una multitud lo recibió y homenajeó cubriéndole con flores su carretilla. Aquellos homenajes continuaron al día siguiente, como parte de los festejos por el aniversario de la Revolución de 1810. El vasco, emocionado, fue con su carretilla hasta la Plaza de Mayo. Y junto a la Pirámide, dejó todas esas flores. Atrás habían quedado más de 3.200 kilómetros recorridos y, dicen, 31 pares de gastadas alpargatas.
Larregui había nacido en Pamplona el 27 de noviembre de 1885 y a los 15 años dejó esa ciudad que un general romano fundó en el 75 a.C., emigrando hacia la Argentina. Cuentan que primero trabajó como marinero hasta que se radicó en aquella zona de la dura Patagonia donde empezó su aventura. Y de ese recorrido a pie, después recordaría que la peor parte fue en el tramo hasta Trelew, cuando el invierno y la nieve lo golpearon, pero no lo doblegaron.
La primera carretilla del vasco quedó en el Museo de Luján porque él la donó. Después, con otra, entre 1936 y 1938, hizo un recorrido desde Coronel Pringles, en la provincia de Buenos Aires hasta Bolivia. Y también dos caminatas más. Una fue en 1940 desde Villa María, en Córdoba, hasta Santiago de Chile. La última cuentan que arrancó en 1943 en Trenque Lauquen y terminó seis años más tarde en Puerto Iguazú (Misiones), el lugar que sería su residencia definitiva. Se calculaba que, en total, ya había caminado más de 20.000 kilómetros.
Instalado en el Parque Nacional donde construyó una humilde casilla, Guillermo Isidoro Larregui Ugarte, “el vasco de la carretilla”, vivió sus últimos años en aquel paisaje cercano a las cataratas. Algunos recuerdan que dos veces por semana era habitual verlo caminando los 15 kilómetros desde su casilla hasta Puerto Iguazú, quizás para mantener esa costumbre de recorrer grandes distancias a pie que había iniciado cuando rondaba los 50 años.
Murió el 9 de junio de 1964, cuando aún no había llegado a cumplir los 79. Lo enterraron en el cementerio de esa ciudad. Para entonces ya se había convertido en un personaje de leyenda y a su alrededor se empezaron a armar los mitos. Uno dice que fue el primer guía que asistió a los argentinos y extranjeros que querían visitar esa maravilla de la naturaleza que es el Parque Nacional y las cataratas. Otro, que sabía hablar en inglés, francés, italiano y alemán. Pero esa es otra historia.
Por Eduardo Parise
Fuente: Diario Clarín 2/7/2012

domingo, 4 de junho de 2017

El Empecinado guerrillero

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El Empecinado guerrillero

Francisco de Goya y Benito Pérez Galdós retrataron, cada uno a su modo, a Juan Martín Díez, hombre de Valladolid, héroe de la Guerra de Independencia Española a inicios del pujante siglo XIX. Nació en 1775, y pasó a la historia como “el Empecinado”. Tal vez por que nació en un pueblo rodeado de lagunas de cieno y barro a las que se llamaban “pecinhas”.

Ocurre que “empecinado” se usa hoy em día – olvidándonos totalmentes de las ciénagas, lagunas barrosas y pecinhas- para calificar a aquél que se mantiene excesivamente firme en una idea, posición, intención u opinión, quizá poco acertada al ver de la mayoróa, sin llevar en cuenta ninguna otra posibilidad.

Cuentan que a Juan Martín Díez 1814 por fin le dejaron utilizar oficialmente el apodo de “Empecinado” para sí y para sus descendientes; y dicen que sobrenombre sirvió más tarde, por extensión, para referirse a todo aquel empeñado en lograr un fin sin importarle los obstáculos que vaya a enfrentar para conseguirlo.
La campaña de Pirineos, más conocida fuera de España como la Guerra del Rosellón lo encontró a los 18 años en medio de las batallas que enfrentaron al español Carlos IV en contra de la Primera República Francesa, de 1793 a 1795.
La invasión Napoleónica de 1808, sacó a Juan Martín de sus tareas del campo a las que se había retirado y lo llevó a combatir a los franceses. Según cuentan, una mujer española fue objeto de abusos por parte de un grupo de soldados invasores que se habían refugiado en el pueblo de Fuentecen. Dice la leyenda que los españoles, al mando de Juan Martín, persiguieron a caballo a los gabachos hasta darles muerte con sus trabucos.

Más tarde organizó un grupo de guerrilleros con vecinos, amigos y familiares que lucharon en varias guerrillas como bandoleros, optando primero por enfrentamientos abiertos en las batallas de Cabezón de Pisuerga y Medina de Rioseco en Valladolid, en  1808, sin buenos resultados. Luego que cambió la táctica del Empecinado y sus hombres de enfrentarse en frentes abiertos para combatir como una guerrilla, y entonces sí tuvo grandes resultados militares en los combates de Aranda de Duero, Sepúlveda o Pedraza, atacando las comunicaciones francesas y su acceso a los mantenimientos y suministros. Las noticias de su valentía y arrojo llevaron a más y más hombres a unirse a su causa.

En los cuatro largos años que duró la Guerra de Independencia Española, de 1808 a 1814 – y que tanta influencia directa tuvo como gatillo para la emancipación de las colônias americanas de España y de Portugal- miles de hombres y mujeres sembraron con sus cuerpos la tierra que querían proteger y liberar del invasor francês.

Se calcula que no menos de 500 mil murieron en la lucha cruenta y desigual, mientras que los franceses dejaron en el campo de batalla a 150 mil de sus tropas. En esos momentos difíciles se dieron casos de auténtico valor, que fueron un verdadero dolor de cabeza para los ejércitos casi invencibles de Napoleón, quién siempre subestimó la entrega y la audacia de los españoles.

La guerrillas fueron un martillar constante para los intereses franceses, pues no menos de 40 mil hombres y mujeres se lanzaron a las fuerzas irregulares para derrotar al Gabacho y quién se destacó entre todos ellos fue el Juan Martin Diez, el Empecinado.

Las guerrillas formadas por gentes de la calle eran el bastión que golpeaba mejor al invasor francês, uma vez que el ejercito regular español cosechaba derrota tras derrota, a pesar de algunos éxitos, como el de la brillante victoria en Bailen, en la que lucharía Don José de San Martín, el futuro libertador de Argentina, Chile y Perú.

Anécdotas que podrían ser leyenda si no fuera por los registros históricos, cuentan que Joseph Léopold Sigisbert Hugo, el padre del escritor francés Victor Hugo, gobernador de las provincias centrales de la España invadida, se tomó muy em serio la misión de capturar al Empecinado, y secuestró a la madre de Juan Martín y a otros familiares y vecinos. Enseguida avisó que, si el Empecinado no se entregaba de imediato, serían todos fuzilados.

La respuesta del guerrillero fue que si su madre y todos los demás no fueran liberados, de inmediato pasaría a cuchillo a cien franceses que tenía en sus manos y que a partir de entonces todo Gabacho que se pusiera en su camino sería ejecutado sin compasión. Tan seria fue la amenaza que Leopold dejó en libertad de imediato a todos sus prisioneros, a comenzar por la madre del Empecinado.

Juan Martin llegó a planear nada menos que el secuestro de José Bonaparte – Hermano de Napoleón, más conocido por el apodo de Pepe Botella  por su afición al trago-. Llegó incluso a merodear por los palacios ocupados de Madrid con sus hombres, pero los halló fuertemente custodiados y demasiado arriesgado para llevarlo a cabo.

La traición de Fernando VII, el de la máscara.

La relevancia alcanzaba por “El Empecinado” llevó a la regencia Gaditana – que mantenía la legalidade española frente al invasor francês- a otorgarle algunos cargos y ensalzar el espíritu de lucha contra Francia, y fue nombrado capitán de caballería, luego brigadier y más tarde general, una vez que la pequeña partida de hombres que empezó con la guerrilla se había convertido en un ejército con más de 6 mil combatientes.

Finalmente, la Guerra de la Independencia culmina con la batalla de los Arapiles, cuando José Bonaparte abandona la ciudad de Madrid y el Empecinado es uno de los primeros en entrar en la capital. La guerra iba llegando a su fin y parecía que todo terminaría bien para Juan Martín.

Nada mas lejos de la realidad, pues tras la derrota frances se reinstauró el absolutismo, con Fernando VII como cabeza visible. Fue cuando nuestro inocente “Empecinado” se presentó al rey,  que le daría el cargo de Mariscal, momento em que Juan Martín  aprovechó para entregarle la carta en la que le pedía respeto, fidelidad y obediencia a la Constitución de Cádiz o La Pepa, de 1812.

La respuesta del monarca fue que se negaba a reconocer la constitución y enseguida mandó al exilio a Juan Martín.
Ya en su destierro  en Valladolid, el 1º de enero de 1820 Juan Martín se une al levantamiento de Rafael de Riego en Cabezas de San Juan, enfrentando las fuerzas realistas que inauguraron el Trienio liberal en el que el propio rey Fernando VII se vio obligado a aceptar la Constitución. 
Fernando VII, que no se resignaba a su destino, pidió ayuda a los países aliados que le mandaron los 100.000 hijos de San Luis, que entraron en España en la Guerra de la lealtad.

Juan Martin, gobernador de Zamora en 1823, aunque sabía que todo estaba perdido para la causa liberal, se mantuvo firme en sus convicciones y continuó apoyandola Constitución, que el entendía como justa.

En 1825 cayó preso en Olmos, Valladolid, a cambio de que sus hombres no fueran detenidos. Bajo todo tipo de humillaciones fue recluido en una jaula y vejado publicamente en su trasladado a Nava de Roa Burgos donde queda preso durante 2 años antes de ser condenado a muerte por ahorcamiento.
En el caminho, vio a su ex esposa del brazo de un oficial absolutista, y Juan Martin pidió  a gritos que prefería ser fusilado, para morir con honor, pero le fue negada esa posibilidad.

Cuenta la leyenda que el empecinado tuvo un acceso de rabia y rompió sus cadenas. Se lanzó entonces sobre sus captores que lo abatieron a tiros y, ya muerto, lo condujeron al patíbulo para ser colgado en la horca, cumpliendo rigurosamente con la sentencia.


Javier Villanueva, São Paulo, 4 de junio de 2017

Empecinado. Adjetivo. Se dice especialmente de una persona obstinada, terca, testaruda, obcecada, porfiada, tenaz, cabezota, pertinaz y tozuda.

sábado, 20 de maio de 2017

Neruda, Bianchi y las “Tonadas de Manuel Rodríguez”



Neruda, Bianchi y las “Tonadas de Manuel Rodríguez”

El compositor chileno Vicente Bianchi, hablando de su composición “Tonadas de Manuel Rodríguez”, con letra de Pablo Neruda, cuenta que: ‘‘La forma que me parecía más lógica era como tonada y no como cueca’’.

En el mismo año, durante una velada em las que participaban Neruda y Bianchi en la casa del juez René Pica, fiscal de la Corte Suprema, Silvia Infantas y “Los Baqueanos” cantaron esa noche por primera vez, para el poeta la canción ‘‘Tonadas de Manuel Rodríguez”.

Me junté con Neruda para presentarle las tonadas y se volvió loco con esta cosa porque dijo que era lo que había siempre soñado: tener la oportunidad de llegar al pueblo con sus versos cantados. Porque la gente lo leía, pero ahí quedaba todo’’, relata Bianchi.

La canción “Tonadas de Manuel Rodríguez” fue un hito de popularidad en los años de 1950, comparable al éxito de los boleros de Lucho Gatica o a los primeros discos de “Los Huasos Quincheros” .

El grupo la estrenó en privado frente al propio Neruda, con Bianchi al piano. Silvia Infantas recuerda haber tocado esa tarde unas treinta veces la canción para el futuro premio Nobel: ‘‘Ése fue el momento en que Neruda la conoció, y estaba vuelto loco…Decía: Cántala otra vez, ven a sentarte a mi lado, no te muevas de aquí”. Él había escrito los versos, pero de ahí a que llegáramos vestidos de huaso, con los trajes típicos y cantáramos una melodía que nunca había escuchado, fue una impresión. Una noche inolvidable. Fue la primicia que le dimos de que estaba listo para grabar. Bianchi nos pasó la canción, la montamos bien preparada por él, fuimos y le cantamos y entonces Bianchi se entusiasmó e hizo después el “Romance de Los Carrera”, poema XXIV "José Miguel Carrera (1810)" de la sección IV "Los libertadores", del libro ‘‘Canto general’’; págs. 514-520 O. C. I y “Canto a Bernardo O’Higgins” (poema XX"Bernardo O’Higgins Riquelme (1810)", de la sección IV "Los libertadores", del libro ‘‘Canto general’’; págs. 505-507 O. C. I). Todos esos temas patrióticos, agrega Leal: es el repertorio que quedó en el histórico LP “Música para la historia de Chile” de 1956, de Silvia Infantas y los Baqueanos con la orquesta de Vicente Bianchi. 

Capitalismo "de compadre" ou apenas capitalismo?


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Os Agiotas, do pintor holandês Marinus Van Reymerswaele (1490-1546)

As delações revoltantes dos irmãos jeca-tatu, acionistas majoritários da JBS na qual o atual (e ex-) ministro da economia, Henrique Meirelles foi presidente do conselho de administração da controladora J&F durante 4 anos- demonstram duas coisas mais do que sabidas:

a) o sistema eleitoral e das representações políticas é absolutamente podre e precisa ser mudado com urgência, por meio de uma assembleia constituinte, autônoma e independente do congresso atual.


b) O sistema capitalista - tanto brasileiro como internacional- interage e se retroalimenta com a podridão do sistema eleitoral e das representações partidárias. 
O capitalismo é essencialmente perverso e desumano. Um novo sistema, revolucionário, mais humano e solidário é urgente. Pode parecer Utopia, mas assim foi com a Revolução Francesa e com o socialismo do século XX. Novas proposta surgirão, com o sem a esquerda atual, com ou sem a atual democracia. 
A história não espera ter "líderes iluminados", nem partidos miraculosos. Apenas precisa da vontade e a organização do povo e das suas estruturas de luta.

c) A democracia representativa e sua base econômica de sustento - o liberalismo de mercado- é tão injusta e desigual que precisa ser modificada profundamente, criando opções populares - sindicais, estudantis, sociais e comunitárias-. Outra Utopia? Sim, da mesma natureza que a Revolução Francesa e o socialismo do século XX. 
O povo organizado - insisto, com ou sem esquerda, com ou sem lideranças políticas- pode criar essa nova democracia popular com os seus movimentos sociais e de base.

d) O PT e Lula são inocentes até que se prove o contrário: as provas tem que ser da natureza das que a PF - por fora dos desígnios do juiz Moro- conseguiu reunir contra Temer e o Aécio Neves. 
Enquanto essas provas não aparecem, o Lula continua sendo o "fato maldito", odiado pelas classes dominantes e pelas classes médias menos esclarecidas. E as esquerdas só terão o Lula e o PT como aglutinante eleitoral. 
Se o Lula vier a ser incriminado e preso a partir de provas tangíveis e palpáveis, a esquerda e a intelectualidade não deverá entrar em depressão e sim seguir adiante. Fazer como todo povo faz quando recebe um golpe e cai: levantar-se e continuar a luta nas novas condições.

e) Não há alegria possível no clima em que vivemos hoje. Os culpados são, sem a menor dúvida, a irresponsabilidade da direita liberal - expressada fielmente no Aécio e o PSDB- que decidiu dessangrar um governo eleito sem ter sequer uma alternativa válida; e em segundo lugar, uma esquerda fraca (não podia ser de outro modo) que precisou fazer alianças com um PMDB fisiológico e intrinsecamente traidor ao mandato popular. 

Não podemos nos alegrar pela desgraça merecida do Temer e o PSDB-Dem, nem vamos nos deprimir - muito menos ainda- pelas fraquezas e erros do PT e do lulismo.

É o povo quem faz a sua história, não os políticos. Não existe "farinha do mesmo saco", e sim luta entre classes sociais: trabalhadores ferrados pela reforma trabalhista contra empresários vampiros e corruptos; trabalhadores aposentados versus políticos burocráticos neo-liberais e donos de igrejas que nunca pagam impostos e saqueiam os bolsos dos mais pobres.

Não existe "farinha do mesmo saco" e sim luta de classes, luta entre partidos que querem justiça social e os que querem manter o sistema podre em que vivemos.


f) Única saída hoje: o povo nas ruas, vigiando, exigindo eleições diretas e livres, já.

domingo, 16 de abril de 2017

La muerte anunciada de Gabriel García Márquez

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La muerte anunciada de Gabriel García Márquez

En mayo de 1999, en pleno auge de e-mail, empezó a circular por correo electrónico un poema apócrifo, La marioneta, atribuido a Gabriel García Márquez. En una breve introducción, el texto indicaba que el Nobel lo había enviado a sus amigos a mediados de mayo, al enterarse "de que su grave enfermedad ha recrudecido".

Aunque La marioneta podría ser atractivo para ciertos lectores, su calidad literaria es la de un amateur y no la de un premio Nobel. 
En tono de despedida especula amargamente sobre las cosas que su autor haría si Dios olvidara que es una marioneta de trapo y "le regalara un trozo de vida". 

Este hipotético autor declara que "no diría todo lo que piensa, pero en definitiva pensaría todo lo que fuera a decir", y luego desarrolla una serie de versos con paradojas sencillas como esa y frases hechas alusivas a la nostalgia y a la esperanza de ser cada vez más humanos. 
Haciendo honor a su título, el "poema" termina sospechosamente así: "Son tantas cosas las que he podido aprender de ustedes, pero realmente de mucho no habrán de servir, porque cuando me guarden dentro de esa maleta, infelizmente me estaré muriendo". Todo un subproducto de la literatura de autoayuda.

En la época en que La marioneta empezó a circular por la Internet, García Márquez sufría un constante cansancio. El 24 de junio de 1999 fue internado en una clínica en Bogotá con una sospecha de lo que llamaron "síndrome de agotamiento general". El 13 de septiembre, su equipo de médicos de Los Ángeles le diagnosticó un cáncer linfático. Entró en tratamiento de inmediato y algunas semanas más tarde se informaba que su condición general de salud ya había mejorado notablemente.

Cuando uno lee el texto - bastante vulgar, para darle un adjetivo que lo califique rapidamente- no se puede evitar el recuerdo de otro conocido poema, Instantes, que se le atribuye a Jorge Luis Borges, pero que fue realmente creado por Nadine Stein, o tal vez por el caricaturista estadounidense Don Herold, según nos informa el investigador Iván Almeida en un minucioso estudio sobre el asunto.

La marioneta tuvo un cierto éxito entre 1999 y el año 2000.  Todavía hoy en día hay quienes lo distribuyen alegremente a sus amigos creyendo con toda ingenuidad que ese es "el último poema de Gabo García Márquez", sin saber, en primer lugar, que el escritor colombiano nunca publicó ningún poema o por lo menos, si alguna vez lo hizo, lo tuvo muy en secreto hasta para sus amigos y editores. Esto es lo que se denomina un hoax, o falsa información distribuida de un modo masivo – y muy invasivo- como si fuera una noticia o una información verdadera.

¿Cómo pudo La marioneta anunciar los problemas de salud de García Márquez antes de que existiera un diagnóstico público y reconocido? ¿Es posible que algún amigo más íntimo del premio Nobel colombiano hubiera divulgado la noticia apoyándose en meras especulaciones propias, y que por esa vía – más imaginativa, y de conjetura en chisme se haya corrido la voz hasta llegar a los oídos de la persona que finalmente creó el hoax?

Hacia fines de mayo de aquel año, Gabriel García Márquez por fin conoció y leyó el tal poema, que había sido publicado en la edición electrónica del periódico peruano más importante, La RepúblicaPero ocurre que ya a esa altura el hoax había cobrado vida propia y de poco sirvieron las tentativas de aclaración por parte del autor, que llegó a convocar a una rueda de prensa para aclarar el tema.

"Señores, yo quiero decirles que estoy vivo y que lo único que me podría matar es que digan que yo escribí algo tan cursi", fueron las palavras – tristes y graciosas a la vez- de Gabo a la prensa el día 31 de mayo.

Es lamentable, pero hay que reconocer que es cada vez más real, que en plena época de masificación de las comunicaciones globales, es muy poco y nada lo que las nuevas generaciones leen de – o sobre- los grandes autores. Y tal vez sea por eso mismo que tanta gente pueda creer que textos como Instantes pertenezca a Jorge Luis Borges y La marioneta pueda ser obra de García Márquez.

Pero entonces, vamos a pensar un poco: ¿quién podría ser el verdadero autor de La marioneta? Según los estudios del investigador Raúl Trejo Delabre, el texto fue escrito por un actor y ventrílocuo, el mexicano Johnny Welch, como una parte de su show de marioneta "El Mofles".

"¿Le molestó que Gabo calificara su poema de "cursi"?”, le preguntaron más tarde a Johnny Welch. "No, no me molestó. Lo que respondí es que eran unas decaraciones muy válidas, de alguien que es el escritor más importante del habla hispana; y yo no escribo con el conocimiento, escribo con el corazón”. Agregó el actor y ventrílocuo marionetista.

Todo esto podría explicar por qué el texto apócrifo dice, al final, que "al ser metido en su maleta, infelizmente se estará muriendo*". Recuerden que el muñeco del ventrílocuo siempre termina el show dentro de una caja o maleta.


Javier Villanueva, São Paulo, abril de 2017.


*Lea ahora el texto completo:



Carta de Despedida 

“Si por un momento Dios se olvidara de que soy una marioneta de trapo y me regalara un trozo de vida, posiblemente no diría todo lo que pienso, pero en definitiva pensaría todo lo que digo. Daría valor a las cosas, no por lo que valen, sino por lo que significan. Dormiría poco, soñaría más. Entiendo que por cada minuto que cerramos los ojos perdemos sesenta segundos de luz. Andaría cuando los demás se detienen, despertaría cuando los demás duermen, escucharía cuando los demás hablan y ¡cómo disfrutaría de un buen helado de chocolate!
Si Dios me obsequiara un trozo de vida, vestiría sencillo, me tiraría de bruces al sol, dejando descubierto, no solamente mi cuerpo sino mi alma. Dios mío, si yo tuviera un corazón, escribiría mi odio sobre el hielo y esperaría a que saliera el sol. Pintaría con un sueño de Van Gogh sobre las estrellas un poema de Benedetti, una canción de Serrat sería la serenata. Regaría con mis lágrimas las rosas, para sentir el dolor de sus espinas y el encarnado beso de sus pétalos...
Dios mío si yo tuviera un trozo de vida... no dejaría pasar un solo día sin decirle a la gente que quiero que la quiero. Convencería a cada hombre o mujer de que son mis favoritos y viviría enamorado del amor. A los hombres les probaría cuán equivocados están al pensar que dejan de enamorarse cuando envejecen, sin saber que envejecen cuando dejan de enamorarse. A un niño le daría alas, pero le dejaría que él solo aprendiese a volar. A los viejos les enseñaría que la muerte no llega con la vejez sino con el olvido.”


terça-feira, 11 de abril de 2017

Bóers o afrikaners en la Patagonia. La saga de una nacionalidad errante




Vea también, en lengua inglesa, el reportaje al último Bóer de la Patagonia:
https://mg.co.za/article/2011-02-04-the-last-boers-of-patagonia/
http://iluvsa.blogspot.com.br/2009/08/argentinian-boers-oldest-boer-diaspora.html



Bóers o afrikaners en la Patagonia.
La saga de una nacionalidad errante

El 6 de Junio de 1902 llegan los Afrikaners – o Bóers- a la naciente ciudad de Comodoro Rivadavia, en la Patagonia argentina, y los recibe don Francisco Pietrobelli, el mismo que fundara antes la Colonia Sarmiento.

Las dificultades eran muchísimas, pero aquellos primeros colonos tenían una fortaleza física y espiritual enorme. Y a finales de 1903 vuelve el pioneiro Conrado Visser a su primitivo hogar sudafricano a buscar más compatriotas y esta vez ya son otras 30 familias, y casi un centenar de personas se embarcan con destino a la lejana Patagonia, instalándose al llegar en el Lago Munster, cerca de Sarmiento, proponiéndose volverse finos ganaderos al más corto plazo.

Y ya hacia finales de 1905 llegó al sur argentino la tercera ola de colonos bóers, nuevamente por la negociación e intermediación de Conrado Visser y de Martín Vinter. Esa vez fueron otros 300 colonos, que se instalaron a orillas del Río Chico, y em las colonias Sarmiento y Escalante.
De a poco los pioneiros bóers iban escribiendo sus páginas de trabajo y de tesón en la historia patagónica argentina. Aprendieron a luchar contra la adversidad en un clima diametralmente diferente al del sudafricano, tan severo y temperamental. Sufrían con los alimentos, que siempre les llegaban tarde desde Buenos Aires. Pero aunque los vientos castigaban con rigor sus moradas frágiles, en la lejana Patagonia disfrutaban de una libertad religiosa que les era difícil en el continente africano ante la intransigencia de los colonialisras ingleses; renacían los bóers en la Patagonia  al gozar del respeto de los ciudadanos sureños, de la confraternidad nacida en la lidia cotidoana del campesino. Al fin y al cabo, bóer en la lengua afrikaner no significa otra cosa sino labrador, trabajador de la tierra.

Cuando el agua escaseaba fue outro pioneiro afrikaner, Behr, el gran baqueano que descubrió una nueva fuente en la localidad hoy conocida como “Los Manantiales”.

Y en 1904, fue otra vez el baqueano descubridor del agua el que hiciera el primer registro de una niña bóer, María Inés Behr, primogénita del pionero Francisco Behr.
El primer sacerdote salesiano de la comunidade africaner fue Jorge Cristian Behr, otro pioneiro en el arte bóer de abrigarse en la religión – esta vez la católica- para escabullirle a los prejuicios y a la discriminación. Todos ellos, ante aquella inmensidad semidespoblada que fueron a encarar, soñaron y lograron producir un fabuloso trasplante de seres humanos.

La genética de los eternos migrantes

En 1700 se intensifica la expansión de la colonia holandesa iniciada un par de décadas antes, hacia el interior africano, y en un movimento continuo hasta ya bien entrado el siglo XIX, en que  se alcanzaron los límites actuales del território bóer en  Sudáfrica.
El gobernador Willem Adriaan Van der Stel, hijo de Simón, que fuera el fundador de la primera población interior llamada Stellenbosch, es destituído en 1707 de su cargo por los granjeros de la población, amenazados con la debacle económica causada por la monopolización del mercado. Los colonos empezaron a llamarse a si mismos "afrikaners" - o "bóers", como sinónimo-, un término que había usado despectivamente el gobernador Van der Stel para denominar a sus enemigos.
Hacia 1710 la colonia sudafricana había crecido mucho, y algunos integrantes de los grupos pioneiros querían buscar tierras mejores; para ello se lanzaron a explorar la región al este del Cabo africano, recorriendo las sendas abiertas por los cazadores y traficantes de ganado. Viajaban con sus familias en grandes carros tirados por bueyes, cubiertos con lonas, que les servían como hogares transhumantes durante el arreo de sus ganados.
Los blancos en su expansión hacia el este chocaron en 1770 por primera vez con los pueblos bantúes a orillas del río Great Fish, que se convirtió en frontera entre los colonos europeos y los nativos durante un largo período.

Hasta 1795 la organización central del gobierno local  permaneció en el poder de funcionarios de la Compañía  Holandesa de las Indias Orientales. Y fue hasta 1779 que los ganaderos ocuparon libremente más y más tierras en dirección al este y al norte, en un radio de 800 kilómetros de la Ciudad del Cabo, con granjas de hasta 3 mil hectáreas que arrendaban al gobierno.
La primera guerra (de las que hubo nueve en un mismo siglo) entre los ganaderos blancos y negros en la zona del Great Fish ocurrió entre 1779 y 1780, y fue seguida entre los años de 1795 y 1803    por la primera ocupación británica del Cabo.

El Tratado de Amiens, de 1803 a 1806, devuelve el Cabo a los holandeses, y es gobernado por la república de Batavia -nuevo nombre de Holanda bajo el dominio de Napoleón.
La segunda ocupación británica temporaria del Cabo se desarrolla entre 1806 y 1807, a la espera de un resultado victorioso de la guerra contra Napoleón.
 Al convertirse los Países Bajos en un estado satélite de Francia, en 1814 las tropas británicas atacaron la Colonia del Cabo que se incorporó definitivamente al Imperio Británico en ese mismo año. Las autoridades coloniales atrajeron a nuevos grupos de ciudadanos ingleses e intentaron "britanizar" a los afrikaners.
Además, por médio de un convenio, Holanda cedió en 1815 a los barcos de su Majestad británica el derecho de colonizar la costa africana, dejando a los bóers aun más a merced de las arbitrariedades de las autoridades inglesas.

En 1815 Shaka se convierte en el nuevo jefe de los nativos zulúes, y en 1834 salen las primeras expediciones del Cabo hacia el interior. La abolición de la esclavitud se decreta en 1836, y la Ley de Castigos del Cabo de Buena Esperanza extiende el dominio británico a los voortrekkers. En esa misma época, el pueblo matabele es derrotado por los voortrekkers en la batalla de Vegkop.

Groot Trek - o La Gran Travesía

La Gran Marcha – o Travesía- de los granjeros bóers fue un movimiento voluntario de miles de hombres y mujeres (voortrekkers) que abandonaban sus hogares en sus carros de bueyes, y con un gran sacrificio personal, trataron de alejarse tanto como les fuera posible de la prepotência colonialista del gobierno británico del Cabo, bajo cuyo régimen los descendientes de holandeses y alemanes no tenían ningún futuro.
En 1841 el gobierno británico de El Cabo había rodeado y controlado al bloque de tribus bantú entre las montañas de Basutolandia - Lesotho- y el Océano Indico, hasta el río Umtamvuna, frontera sur de la que ansiaban ver como futura colonia británica de Natal.
En 1843 Natal es proclamada colonia britânica; y las dos repúblicas bóer, Transvaal y Orange, ambas poco pobladas y con economía pastoril, establecieron en 1850 un mecanismo básico de gobierno.
Después de 1850, a causa de la inmigración  británica, Natal quedó convertida en una colonia  mayoritariamente inglesa, con una mínima población blanca y otra, predominante, de nativos bantúes.
En 1852 Gran Bretaña reconoce la independencia de Transvaal, y dos años después se funda la república del Estado libre de Orange. Entre 1857 y 1859 ocurrieron los primeros avances, que enseguida se frustraron, hacia una federación entre las nuevas repúblicas.

La llegada de la primera mano de obra contratada de la India británica se produce en 1860, con destino a sus plantaciones azucareras. De los 152 mil hindúes que llegaron a Natal, la mitad prefiere permanecer en Sudáfrica y no volver más a la India.
En 1869 se descubren diamantes cerca de Kimberley, y cerca de 10 mil buscadores de piedras preciosas llegan en 1870 al río Vaal. Miles de trabajadores emigran de Kimberley.
Gran Bretaña se anexa en 1871 a Griqualand del Oeste, incluyendo las minas de diamantes de Kimberley.
A partir de 1875 cambió la política británica con la intención de federar Sudáfrica y todos los métodos diplomáticos fallaron.


Argentina, de 1875 a 1904

Para el gobierno argentino de las décadas de 1870 y 1880, la idea de "suprimir la frontera interior" significaba extender la soberanía del estado sobre el territorio hasta los límites políticos, someter a los nativos rebeldes, ocupar toda la región sur con población blanca, preferentemente inmigrantes recientes y colocarla al servicio de la producción, tal y como lo expresó el presidente Avellaneda a Adolfo Alsina, Ministro de Guerra y Marina, en respuesta a su proyecto de extender la frontera hacia el sur patagónico.

En consecuencia, en 1876 Argentina sanciona la Ley de Colonización o "Ley Avellaneda", que reglamentó la ocupación y la apropiación del suelo por casi 60 años. Esa nueva ley autorizaba varios sistemas de colonización. Fijaba el tamaño mínimo y máximo de las parcelas de tierras públicas a vender – de 25 a 400 hectáreas cada una- así como la extensión de las colonias - 40.000 hectáreas- y la cantidad de familias que en ellas se radicarían. Era también una ley que tenía en su horizonte la tan esperada  inmigración europea blanca.

El General Julio A. Roca es nombrado en 1877 Ministro de Guerra ante el fallecimiento de Alsina, y se completa el cerco final contra las naciones Tehuelche, Mapuche y Pampas em la Patagonia argentina, al mismo tempo que, en Sudáfrica, Gran Bretaña anexa el Transvaal.

Hacia 1880 el gobierno porteño en Argentina había conquistado 15.000 leguas y sometido a 14.000 nativos. Mientras tanto, y después de la derrota británica de 1881 en Majuba, Transvaal recupera parcialmente su independencia.

La saga bóer puede parecer pequeña si se compara a los números totales de la inmigración hacia Argentina en los siglos XIX y XX. Entre 1882 y 1889 ingresaron a la Argentina más de medio millón de inmigrantes, y es a ellos que se trata de incorporar con la ley del 10 de octubre de 1882, que divide el llamado gran “territorio nacional” en nueve gobernaciones, las del sur con asiento en General Acha (La Pampa), Chos Malal (Neuquén), Viedma - separada de la provincia de Buenos Aires- (Río Negro), Madryn (Chubut), Santa Cruz (Santa Cruz), Ushuaia (Tierra del Fuego).  


 JV. São Paulo, 11 de abril de 2017.