sábado, 21 de abril de 2018

Muçulmanos, judeus e cristãos na santa paz.



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Muçulmanos, judeus e cristãos na santa paz

Em tempos do domínio do Império Romano na região - 200 a. C a 400 d.C.-, a então província chamada Hispânia era uma das mais florescentes. Os visigodos, um dos últimos povos bárbaros que invadiram o território e se implantaram em torno de 560 d.C., porém, foram um fracasso administrativo e quando os muçulmanos chegaram, em 711, a península vivia um período de total desorganização e dispersão política, assim como de aridez cultural e tecnológica. 

A dinastia Umayyad promoveu a partir desse momento uma verdadeira mudança nos territórios conquistados. Os campos foram renovados com a introdução de novas culturas e técnicas de irrigação. O comércio com o Oriente cresceu, e a arquitetura conheceu então o seu melhor momento de transformação criativa com a construção da mesquita de Córdoba; nela, os Umayyads reafirmaram sua tradição de uso e aproveitamento criativo dos elementos que eram oferecidos pelas culturas locais dominadas.

A mesquita que Abd al-Rahman levantou em sua nova capital tinha um estilo que lembrava nostalgicamente à Síria, terra natal do príncipe exilado que ele jamais voltaria a pisar. Mas também incorporava traços fortes da arquitetura romana e gótica. Até os arcos de meio ponto, em forma de ferradura, que hoje são considerados como protótipos islâmicos são na realidade também representativos da arquitetura da Espanha romana e gótica - dos godos- pré muçulmana.

Mas essa Espanha ideal, entre os séculos VIII e XV - onde a convivência pacífica entre cristãos, muçulmanos e judeus criou uma sociedade avançada em plena Europa medieval, chamada oelos árabes dos “povos do livro” - terminou abruptamente nos mesmos dias em que Cristóvão Colombo se preparava para partir do Porto de Palos com destino a um continente que não imaginava que iria a se atravessar no seu caminho às Índias.

Nesses meses, um número enorme de pessoas chamadas de “sefaraditas” ou “sefardis” (nome hebreu que davam a si mesmos os moradores judeus da Hispânia) corria em desespero aos portos do sul da península em busca dos navios que os levariam a destinos quase tão incertos como os do navegante italiano ao serviço da coroa espanhola. 

Os judeus da Espanha – ou de Sefarad, como eles chamavam a nação em formação – ficaram obrigados nesses dias, por meio de um decreto real (na realidade fala-se de três decretos, um de Isabel de Castela, outro de Fernando de Aragão, e um terceiro de ambos os monarcas), a escolher entre a conversão à “verdadeira fé’’ católica ou partir para o exílio. 

O ano de 1492, que aparece marcado nos calendários como o da descoberta da América, representa também para os judeus da Espanha um triste marco final. Isabel e Fernando, os mesmos monarcas que patrocinaram o marinho genovês Cristóvão Colombo para encontrar uma rota alternativa para o Extremo Oriente, também cortaram de vez uma das mais ricas experiências culturais e de tolerância religiosa na história do ocidente.

O livro "O ornamento do mundo – como muçulmanos, judeus e cristãos criaram uma cultura de tolerância na Espanha medieval", de María Rosa Menocal, detalha essa época crítica e fascinante e a reconstroi com saborosa precisão.
Professora de literatura espanhola e portuguesa na Universidade de Yale, onde dirige o Centro de Humanidades Whitney, María Rosa Menocal possui uma obra vasta que inclui estudos que tratam da influência árabe sobre a cultura medieval europeia. 
"O ornamento do mundo" foi escrito com o objetivo de fazer mais acessível ao leigo o mundo das suas pesquisas acadêmicas. A leitura leva o leitor ao conturbado país conquistado pelos muçulmanos no que naquela época era o extremo desconhecido da Europa Ocidental – o Finis Terrae-, durante a Idade Média. Um mundo que teve tristes episódios de obscurantismo religioso e de forte intolerância racial fundamentalista, mas que também brilhou de um modo ímpar nos claustros da cultura e das ciências facilitados pelos árabes ibéricos.

É que a Idade Média, sobretudo no território da Espanha atual, não se resume a senhores feudais, pestes mortais e cruzadas fundamentalistas. A Espanha islâmica – chamada de al-Andalus em árabe, o que dá o nome da região sul do país, Andaluzia – era a vanguarda cultural e científica da Europa na época. Sobretudo, era um espaço de convivência pacífica e de intercâmbio criativo entre as três grandes religiões monoteístas, o islamismo, cristianismo e judaísmo.

Para melhor definir a Espanha medieval, a autora utiliza uma caracterização do escritor estadunidense F. Scott Fitzgerald, o romancista autor de "O Grande Gatsby", que escreveu que “o teste de uma inteligência de vanguarda é a habilidade de ter em mente duas ideias opostas ao mesmo tempo”. Al-Andalus teria sido, portanto, um “lugar de vanguarda”, que conseguiu conjugar não só duas, mas várias ideias que até hoje se mostram aparentemente em conflito. 

Um exemplo é a combinação sincrética de estilos arquitetônicos do período de dominação árabe na Espanha. Os palácios construídos por monarcas cristãos, como o Alcazar (do árabe para palácio, "al-qasr"), de Sevilha, erguido por Pedro o Cruel, no século XIV, mostram a influência da arquitetura e da decoração muçulmanas, com os arabescos e arcos de meio ponto característicos. Na mesma época, uma sinagoga levantada em Toledo, e transformada no convento de Santa Maria La Blanca depois da expulsão dos judeus, tinha seu interior decorado com frases em língua árabe, algumas delas extraídas do Al Corão, o livro sagrado do islamismo. Mas esses são exemplos tardios, já próximos do ocaso de al-Andaluz. 

A saga do sincretismo cultural começou muito antes, já no século VIII. Em 711, os primeiros muçulmanos atravessaram o estreito de Gibraltar e entraram com relativa facilidade no território até então dominado pelos visigodos, povo germânico que saqueou Roma em 410. Teriam ido ainda mais longe, se não fossem detidos pelos francos, ao norte dos Pirineus – lembrar do mordomo que, a falta de um rei, parou sozinho na longa batalha de Poitiers em 732 a tentativa das tropas árabes-. O domínio muçulmano concentrou-se na península ibérica, que ainda assim, nunca chegou a ser completamente islâmica, já que algumas regiões mais agrestes ao norte e noroeste montanhoso permaneceram baixo o domínio cristão.

Em 755 chega a al-Andalus Abd al-Rahman I, que era o único sobrevivente da família Umayyad, que até então ocupava o califado – o reinado político-militar e espiritual sobre o mundo muçulmano. Os Umayyads haviam sido depostos e ainda assassinados pela dinastia dos Abbasids, que em seguida levaram o califado para o leste, de Damasco para Bagdá. Abd al-Rahman estabeleceu seu reinado em Córdoba, onde depôs o emir governador provincial. O al-Andalus permaneceu como o emirado mais ocidental do gigantesco império islâmico, embora que a autoridade dos Abbasids não se fizesse ouvir no leste, onde realmente estava o centro do poder islamita.

Continuará.

JV. São paulo, 22 de abril de 2018.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Os movimentos separatistas na Espanha

Os movimentos separatistas na Espanha
Marina Parra: Os movimentos separatistas na Espanha
¡Hola a todos!
Ultimamente, temos visto muitas notícias sobre a possível extradição para a Espanha do presidente da Catalunha, Carles Puigdemont. Isso tem a ver com o movimento separatista da Catalunha, um dos maiores e mais noticiados desse país nesta década até agora.
Mas, além da Catalunha, alguém aqui lembra que na Espanha existem outros movimentos que querem a independência dos seus territórios? Em terras hispano-ibéricas, há alguns movimentos de caráter nacionalistas. Cito alguns deles: o da Catalunha, o do País Basco, o de Navarra e o da Galícia. Vejam melhor na imagem abaixo onde cada um se localiza.
Por que existem tantos assim no território espanhol? Para gente entender o que acontece hoje, temos que entender como está organizado o sistema político espanhol e voltar um pouco no tempo.
A configuração territorial atual do estado espanhol tem suas raízes em uma história complexa, que começa com a divisão provincial romana e termina com o atual estado de autonomia, definido na Constituição de 1978.
O território espanhol é organizado e dividido em 17 comunidades autônomas, além das cidades autónomas de Ceuta e Melilla. Cada comunidade é uma região para a qual a Constituição espanhola de 1978 reconhece e garante o direito de autonomia. Essas comunidades são, por sua vez, formadas por uma ou várias províncias que possuem uma organização política e econômica comum.
Cada comunidade tem um parlamento e um governo autônomo, que organiza os assuntos da Comunidade. O governo autônomo tem o poder executivo e é liderado por um presidente, que é eleito pelos representantes no Parlamento. Como eu já comentei lá em cima, Carles Puigdemont era o presidente catalão, já que foi destituído recentemente pelo governo espanhol.
O Estatuto de Autonomia de uma Comunidade é a lei mais importante, pois define as competências autonômicas, estabelece a capital, a língua oficial e o território. Por sua vez, o estado nacional é responsável pela economia e pela política externa. Em nenhum momento as leis de uma Comunidade Autônoma podem contradizer a Constituição espanhola. Isso permite que cada comunidade tenha leis diferentes que sejam consistentes com suas realidades, mas sem passar por cima dos padrões do governo central.
Pois bem, muitas regiões espanholas possuem, há séculos, o desejo de reforçar sua própria cultura, língua, tradições e identidade coletiva, além de alegarem razões econômicas.
Vou citar abaixo os dois mais conhecidos, pelo menos para nós aqui no Brasil, pois são os que mais saíram na mídia nos últimos anos.
O movimento de independência da Catalunha se baseia primeiro na história da região, e seu parlamento tem uma história que remonta à Idade Média. Por várias vezes, em muitos séculos, houve tentativas de tornar o território catalão independente, mas sempre foram sufocadas por reis, e, em 1931, restauraram a Generalitat. Os governantes espanhóis sempre proibiam, acima de tudo, falar o idioma catalão, impondo as leis espanholas e o ensino era exclusivo do espanhol.
Além do movimento da Catalunha, talvez o movimento de independência basco seja igualmente conhecido no mundo. O País Basco – Euskadi, em basco – é a terra natal de uma das aldeias mais misteriosas e únicas da Europa.
Os bascos são descendentes das tribos que habitavam a península Ibérica muito antes da chegada dos romanos. Eles falam uma língua isolada: na verdade, o euskera é uma das línguas mais complicadas do nosso planeta. Os Aliados o usaram durante a Segunda Guerra Mundial sem que os nazistas pudessem compreendê-lo.
A região sempre teve aspirações para obter a soberania completa. Vários grupos tomaram a linha armada para obtê-la nos séculos XX e XXI, e talvez o mais conhecido entre todos seja o ETA, considerado um grupo terrorista e que usava muita violência. Em 2011, o ETA encerrou sua atividade armada.
Bom, depois deste panorama sobre como a Espanha se organiza, se você ler uma notícia sobre algum movimento separatista em terras espanholas, já terá uma noção do porquê tudo isso acontece, não é?
Fico por aqui!
¡Besos y hasta la próxima semana!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Pimba na gorduchinha e bola na rede!

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https://www.facebook.com/mariacristina.goncalespachecobarrionuevo?fref=ufi 

Tomado de M. Cristina Pacheco Barrionuevo:

Ontem comecei o dia meio chateada porque pela primeira vez não ganhei presente da minha mamis porque logicamente não lembrou e mesmo eu explicando que era meu dia, não entendeu. Mas, com tanta força, saúde, paciência e outros tantos superpoderes que Deus me deu, não posso me lamentar por detalhes. 
Eu adoro crônicas e há 5 anos, quando completei 50, escrevi esse texto que posto novamente como agradecimento pelas mensagens que tantos me enviaram pelo meu aniversário. Espero fazê-los sorrir.
Beijos a todos! Ano que vem, lembrem de mim novamente!


"Passando pra o segundo tempo da vida e sendo brasileira me pareceu inevitável refletir sobre a paixão nacional.
No primeiro tempo de qualquer jogo, há inevitavelmente uma enorme dose de surpresas. Por mais bem preparado que o jogador esteja, não se sabe como será a partida. Como ele se entrosará com a equipe e como será esse encontro com o adversário? Você sabe que é o atacante do seu time, mas tem momentos em se entende o Ronaldo na final da Copa com a França. Apesar de ser o melhor do mundo, amarelou, sem explicações. Mas também tem dias em que você decide se transformar na nova promessa mundial. Pode passar de atacante meia boca a ser considerado um novo Pelé.
Nesse primeiro tempo o jogador vai sentindo a cada minuto o que fazer com o jogo. Sente suas falhas e também as dos outros jogadores, tanto do seu time como do adversário. Vai vendo por onde atacar com mais velocidade, facilidade, enfim, vai criando táticas e vendo o que pode ser feito. O que dá certo ou não. Arrisca alguns bons chutes e pode até fazer alguns gols. Ou não.
No segundo tempo o assunto muda. Já sabemos muito do que deu certo e o que deu errado. Já sabemos as condições do campo, as metas a serem alcançadas, se o Sol vai dar de frente pra o seu olho ou o do adversário. Enfim, teremos vantagens pra usar.
Isso não quer dizer que não teremos surpresas: o time adversário inteiro pode ser mudado e até o Sol que você contava como aliado pode ter ido embora e cair um terrível pé d’água. Não importa. O que mais vai contar na verdade é como você aproveitou a experiência do primeiro tempo e a sua decisão de como entrar pra o segundo. Uma certeza vai te acompanhar: não dá pra bobear mais. Não vai ter terceira chance. Alguns minutos de prorrogação, ok, mas isso não é terceira chance, é lambuja, que alguns jogos têm, mas a maioria não.
O jogo que eu escolhi não foi nem pelada nem de várzea. É jogo duro, final de mundial. Todos os jogadores que me acompanham são únicos, experientes, cheios de momentos pra mostrar, surpresas, aflições, gols pra todo lado, baixas por machucados, roxos, contusões de todo tipo. Alguns, ou melhor, vários cartões vermelhos.Trocas de jogadores, gritos de emoção e desespero. Alguns pega-pra-capar com outros jogadores: do mesmo time e do adversário. Volta à calma e recomeça a emoção. Coisas insólitas: rojão no meio do olho do goleiro, cachorro perdido no meio do campo. Não importa: final de mundial não se cancela por nada. Alguns minutos de suspensão do jogo, recoloca-se tudo no lugar e a redonda corre de novo... Confesso que pedi algumas vezes pra sair e dar uma descansada. O treinador não me deu bola. Ainda gozou da minha cara pelas costas que eu vi. Quando acabar o jogo vou lá tirar satisfação.
Nesses breves momentos antes de voltar lá pra o campo, enxugando a cara vou me animando com os gritos da torcida. Não sei se é da minha cabeça, mas parece até que escuto claramente meu nome sendo ovacionado. Legal, mas dá medo também. Melhor esse pessoal parar de gritar meu nome que é capaz de eu subir pro campo e terem colocado 3 pra me marcar e as minhas canelas já estão roxíssimas de tanto pontapé, tive até que trocar a camiseta, tava rasgada. De repente me dá uma ponta de tristeza lembrar que alguns familiares me avisaram que não vão ficar até o final do meu jogo, vão sair antes.
Olhando bem não são só as minhas canelas que estão machucadas, vou ter que me besuntar inteira com gelol, na verdade. Tudo bem, foi a tática que eu escolhi, sempre cavar falta, adoro fazer gols."

M. Cristina Pacheco Barrionuevo, São Paulo, 18 de abril de 2018.


domingo, 15 de abril de 2018

Las tres culturas y la Escuela de Traductores de Toledo.


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Las tres culturas y la Escuela de Traductores de Toledo.

La llegada de los musulmanes a la península Ibérica en 711, produjo la caída del Reino Visigodo y, por tanto, el fin de Toledo como capital, que fue tomada sin resistencia. Durante el dominio califal, Toledo se embelleció con nuevos edificios, destacándose las dos mezquitas, la de Bid al-Mardum, luego convertida en la ermita del Cristo de la Luz, y la mezquita de Tornerías, también convertida.

En los siglos de la Reconquista - de 711 a 1492-, los reinos cristianos peninsulares eran una sociedad  pujante, que compensaba su escasez demográfica con una vitalidad rudimentaria, de cultura muy limitada, luego que la invasión islámica asolara el mundo visigodo.

En el siglo XII, entró en Al-Ándalus y en Sicilia un aluvión de escritos árabes, judíos y griegos, llevando conocimientos traídos de todo el Viejo Mundo, desde el grecolatino hasta Persia y Babilonia, gracias a la gran extensión del islam. Los eruditos árabes llevaron valiosa información, importada o propia, en la medicina, botánica, geografía o farmacología, y en las matemáticas, astrología, astronomía, magia y filosofía. La civilización islámica tenía un amplio desarrollo de estas disciplinas, mayoritariamente científicas

Los reyes cristianos y los obispos sabían que aquella ciencia y cultura eran imprescindibles para consolidar su liderazgo. El poder cristiano deseaba ese saber y así decidieron traducir al latín las obras que los árabes atesoraban.

En Toledo empezó ese movimiento cultural al ser reconquistado por Alfonso VI de Castilla y León en 1085. Se estableció un régimen de tolerancia con los antiguos pobladores en esta ciudad en la que se habían refugiado muchos judíos y musulmanes, huyendo de la represión de almorávides y almohades en las taifas de Al-Ándalus. 
Su núcleo urbano acogía cristianos y judíos viviendo pacíficamente bajo dominio musulmán, adoptando incluso el lenguaje, el estilo de vida y la cultura árabes.

Con la capitulación, se concedieron fueros propios a los mozárabes, musulmanes y judíos que habitaban Toledo, leyes respetadas y unificadas en un único fuero de 1118, de Alfonso VII, gracias al cual empezó uno de los períodos más florecientes de Toledo, especialmente en el aspecto cultural.

Toledo era la "Ciudad de las Tres Culturas", nombre dado gracias a que musulmanes, judíos y cristianos convivieron con sus propias costumbres y en relativa paz durante los siglos XI al XIII. Gracias a ello, surgió en el siglo XII la Escuela de Traductores de Toledo, y la ciudad se volvió un importante núcleo intelectual europeo. 


La iniciativa agrupó a muchos traductores, aunque no en una escuela estable, pues los traductores no estaban concentrados en una institución concreta con una relación profesional entre sus miembros, aunque se trataba más bien de un movimiento. Los europeos eran asesorados por mozárabes - los cristianos que vivían en Al-Ándalus y dominaban el idioma árabe-, judíos e islámicos. Fueron los pioneros del renacimiento intelectual del XII, que también fue el siglo del esplendor de la filosofías árabe y judía, y el XIII el de las traducciones de los comentarios de Averroes a Aristóteles.

JV. São Paulo, abril de 2018.


sábado, 14 de abril de 2018

La Guerra de Reconquista española, de 711 a 1492.

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La Guerra de Reconquista española, de 711 a 1492.

Las avanzadas de los cristianos:
Siglos VIII al X. 
Completada la conquista de la Península Ibérica por los árabes en apenas un lustro (de 711 a 716), solo queda fuera de sus dominios una estrecha franja montañosa en el norte. 
El principal esfuerzo de los reyes visigodos cristianos hasta el siglo X será el dirigido a consolidar nuevas estructuras políticas e institucionales sobre las nuevas realidades socio-económicas en transformación debidas al asentamiento masivo de la población huida del avance musulmán, lo que ayudó a configurar las bases del feudalismo en la Península. Al Oeste se afianzó el reino asturiano, extendiéndose entre Galicia, el Duero y el Nervión. Al Este la Marca defensiva carolingia desarrollará los diferentes núcleos cristianos pirenaicos. Lo precario de su situación quedará demostrada durante el reinado de Abd al-Rahman III - entre 912 y 961, cuando terminan reconociendo la soberanía del Califato, y convirtiéndose en estados tributarios del invasor árabe.
Siglos XI-XII. 
La disgregación del Califato (Taifas) va a facilitar un lento avance de los reinos cristianos por la meseta norte y el valle del Ebro, que van a consolidarse institucionalmente. Esto será financiado a través de las imposiciones tributarias (Parias) a la que sometieron a los reinos musulmanes, a los que convirtieron en virtuales protectorados. Este es un período de europeización, producido por la apertura a las corrientes culturales continentales (Cluny, Cister) y sobre todo por la aceptación de la supremacía religiosa de Roma. 
El avance castellano-leonés que se consolida en Toledo, en 1085, provocó sucesivas invasiones desde el norte de África – de los Almorávides y Almohades- que evitaron el posible colapso de la España musulmana. La repoblación entre el Duero y el Tajo se asienta en colonos libres y en concejos con una amplia autonomía (los fueros), mientras que en el Ebro los señoríos cristianos explotarán a la población agrícola musulmana.
Siglos XIII-XIV. 
La alianza entre los reinos cristianos (en Navas de Tolosa, 1212) alcanza el definitivo derrumbe del Al-Andalus, conquistando a una gran velocidad el sur de la peninsula - excepto Granada-, destacándose la Batalla del Estrecho en la que entran en juego las tropas del último pueblo norteafricano que interviene en la Península, los Benimerines. 
Una nueva expansión protagonizada por las coronas de Castilla y Aragón irá a generar algunos problemas, como la absorción de un enorme volumen territorial y poblacional. En Andalucía y Murcia, la imposición de grandes señoríos – por medio de los nobles guerreros y las órdenes militares- y la expulsión de las poblaciones autóctonas agrícolas y artesanas, derivará en la decadencia económica del territorio. En Valencia y Alicante, los señoríos cristianos, con menos extensión, se superpondrán a una población musulmana que mantendrá la prosperidad económica. 
Problemas solapados con la crisis económica del siglo XIV y las guerras civiles que desangraron a los reinos de la España bajomedieval. De esta forma se consolida España como la nación que por excelencia resistió y contuvo los ataques musulmanes en Occidente, siendo el Reino de Hungría el guardián de Europa en el Este ante la llegada de los turcos.
Siglo XV. 
La sobrevivencia del Emirato de Granada se explica por varios motivos: su condición de vasallo del reino castellano, su conveniencia para este como refugio de población musulmana, el carácter montañoso del reino, complementado con una consistente red de fortalezas fronterizas, el apoyo norteafricano, la crisis castellana bajomedieval y la indiferencia aragonesa, ocupada por entonces con su expansión mediterránea. Además, la homogeneidad cultural y religiosa, no existiendo siquiera una población mozárabe, permitió al estado árabe granadino una fuerte cohesión. Su desaparición a finales del siglo XV – además de por sus interminables luchas dinásticas- se explica en el contexto de la construcción de un estado cristiano moderno llevado a cabo por los Reyes Católicos a través de la unificación territorial y el reforzamiento de la soberanía de la corona.
Fin de la Reconquista:
Los Reyes Católicos terminaron de completar la reconquista de España el 2 de enero de 1492, con la toma de Granada. El emir Boabdil, de la dinastía Nazarí, se vio obligado a abandonar Granada. La tolerancia religiosa que existía hasta entonces se terminó con la expulsión de los judíos en 1492, y con la prohibición absoluta del culto islámico en Granada, contra los términos pactados, en 1500. Acabó por completo un siglo después, con la expulsión de los moriscos, homogeneizando de este modo toda la península bajo el comando centralizador e intolerante del poderoso reino católico.
Sería un año clave en que también se expulsaría a los judíos de España, y se completaría la serie de sucesos extraordinarios con la llegada de Cristobal Colón a las tierras de un nuevo continente, las Indias Occidentales, luego llamadas América.
JV. São Paulo, abril de 2018.


quinta-feira, 12 de abril de 2018

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La rebelión de Túpac Amaru contra el poder colonial español 

José Gabriel Condorcanqui nació en 1740, siendo descendiente del último Inca Felipe Túpac Amaru. Estudió en el Colegio San Bernardo del Cuzco para indígenas nobles e hijos de caciques. Estuvo casado con Micaela Bastidas Puyucahua, teniendo tres hijos: Hipólito, Mariano y Fernando.
Además de cacique de Tungasuca, Surimaná y Pampamarca en la provincia de Tinta, fue comerciante y arriero, llegando a ser un burgués provinciano. Poseyó cocales en Carabaya, chacras en Tinta, vetas de minas y fue dueño de 350 mulas con las que se dedicaba al arrieraje entre el Alto y Bajo Perú. Era un caballero cortesano, hablando con perfección castellano y quechua.
En 1770 peticionó con éxito ante la Audiencia de Lima el reconocimiento de su título de cacique de Tinta, y comenzó a gestionar la confirmación de sus derechos de descendiente principal de los incas. Reclamó el Marquesado de Oropesa, encontrando cerrada oposición del Colegio Electoral del Cuzco. El ataque de los electores fue dirigido a su identidad, subrayando que era forastero, provinciano, mestizo e hijo ilegítimo, de manera que no poseía derechos para heredar ese marquesado. Además, siendo mestizo una veintena de caciques nobles no lo patrocinaron, prefiriendo aliarse a los españoles.

Túpac Amaru. Conspiración y rebelión 

Hubo un largo período de preparación conspirativa de la rebelión de 1780, iniciándose cuando desaparecieron el gobernador de Potosí, Ventura Santelices, y su tío Blas Túpac Amaru, encargados de gestionar ante Carlos III la abolición de la mita y otras cargas que sufrían los indígenas.
Premeditó un golpe contra Antonio Arriaga, corregidor de Canas y Canchis (Tinta), apresándolo tras una emboscada, haciéndolo ahorcar públicamente el 10 de noviembre de 1780 en la plaza de Tungasuca, arengando sobre los objetivos de su movimiento: abolir mitas, repartimientos y exterminar malos corregidores, asumiendo el nombre y título de Túpac Amaru Inca.
Su rebelión estuvo sustentada en una red de parentesco, movilizando a sus familiares y allegados de Tinta. Luego Quispicanchis fue la provincia más susceptible de ser movilizada, porque una rama de su familia residía allí. Como varios parientes ejercían el arrieraje, sus manifiestos fueron distribuidos por el gremio de arrieros en rutas normales. Obtuvo la solidaridad de numerosos caciques que suministraron hombres y provisiones. También la reciprocidad, la mita y el tributo como vínculos comunales fueron utilizados en organizar su rebelión.
En otras provincias se produjo una resistencia étnica, al ser considerado impostor por ser mestizo, no obteniendo el decisivo apoyo de los doce ayllus reales del Cuzco. La rebelión provocó recrudecimiento de antiguas rivalidades étnicas, dividiendo los caciques en leales y rebeldes. Además muchos caciques debieron defender privilegios y propiedades alcanzadas con los españoles, significándoles riqueza, prestigio y poder.

Composición del ejército

El ejército tupamarista poseyó una composición social mixta, alentando la participación de criollos en la rebelión, porque poseían cultura, manejo de armas de fuego e importantes conexiones. Los cargos más elevados fueron ocupados por caciques, mestizos y criollos. Los privilegios otorgados a criollos fueron considerables, oficiando de amanuenses, secretarios y consejeros del caudillo.
Túpac Amaru tuvo especial cuidado en convocar a caciques y curas. Los curas estaban vinculados como compadres con los rebeldes, o poseían estrecho contacto al ser párrocos de comunidades rebeladas. La mayoría pertenecía al bajo clero y hablaban lenguas nativas, proporcionándoles importante acercamiento cultural con la masa. Cuando el respaldo de los caciques confluyó con el del clero, se propagó rápidamente la rebelión. 

Programa del movimiento 

Entre los dirigentes y la masa campesina existían diferencias culturales. El programa que postulaba la abolición de la mita, repartos, alcabalas y aduanas, estaba dirigido a criollos, mestizos, indios nobles: todos los que podían leer y comprender los bandos, buscando unificar las castas detrás de objetivos antifiscales y una posición anticolonialista.
Con las masas usaban un lenguaje simbólico, manifestándose en el uso de instrumentos musicales tradicionales, banderas, insignias y vestimentas incaicas, así como un lenguaje con implicancias mesiánicas vinculadas al mito de Inkarrí, por lo cual el Inca no era solamente rey y soberano legítimo, sino también redentor y salvador de los indígenas.
Su objetivo primordial habría sido la creación de un reino independiente de España, erigiéndose una monarquía incaica. Fueron creados un ejército y una administración. Se suprimieron cargas que pesaban sobre los indígenas eliminando las divisiones en castas, imponiéndose una tributación única para todos, libertad de comercio y trabajo.
La contradicción entre el programa de los dirigentes y las masas campesinas no podría resolverse sino con la radicalización general del movimiento, planteándose una auténtica revolución social cuando las masas se precipitaron contra todo símbolo de opresión, no distinguiendo entre españoles y criollos al atacar haciendas, minas y obrajes.

Errores tácticos del Inca

Entre sus acciones bélicas se destaca la batalla de Sangarará, librada en noviembre de 1780, desastrosa para los españoles. ¿Por qué en circunstancias favorables y con muchos partidarios dentro del Cuzco, cuando podía haber realizado una entrada victoriosa, Túpac Amaru no lo hace? Quienes hablan de su falta de decisión no toman en cuenta factores de orden militar: sus tropas, si bien más numerosas que las españolas, eran inferiores en preparación y armamento.
No toma Cuzco durante el primer asedio ni al comenzar el segundo pocas semanas después, perdiendo tiempo intentando convencer al cabildo de la ciudad. Permaneció sin atacar desde fines de diciembre de 1780 hasta el 8 de enero de 1781, día en que comenzó una batalla que no definió la situación e imprevistamente Túpac Amaru levantó su sitio. Nunca se aclaró porqué su estrategia fue defensiva, en lugar de agresiva. Un mes antes de su derrota, Túpac Amaru dirigió un oficio al Visitador Areche negando que su intención fuera destruir el Cuzco. Era un símbolo tan sagrado, que por su doble filiación cultural no lo podía destruir.
José Gabriel Túpac Amaru fue tomado prisionero el 6 de abril de 1781 y ejecutado al mes siguiente con casi toda su familia en el Cuzco, aunque su rebelión libertaria sería considerada uno de los antecedentes más importantes de la independencia de los países sudamericanos.
Autor: Lic. José Oscar Frigerio para revistadehistoria.es

quinta-feira, 5 de abril de 2018

El "Popol Vuh" de Diego Rivera



El  "Popol Vuh" de Diego Rivera

En los años de 1920 Diego Rivera recibió numerosos encargos del gobierno mexicano para ejecutar grandes composiciones murales. En Palacio de Cortés en Cuernavaca, Palacio Nacional y Palacio de las Bellas Artes de Ciudad de México, Escuela Nacional de Agricultura en Chapingo. Rivera abandonó las corrientes artísticas contemporáneas dominantes para crear un estilo propio, nacional y popular, que reflejara la historia de su pueblo mexicano, desde la etapa precolombina hasta la Revolución Mexicana, con grandes escenas de un realismo vigoroso y de colores llamativos.

Artista comprometido políticamente, Diego Rivera reflejó su adhesión a las banderas socialistas en sus murales. Uno de los fundadores del Partido Comunista Mexicano, visitó la Unión Soviética de 1927 a 1928, y al regresar a México, se casó con la pintora Frida Kahlo, que antes fuera su modelo.
En los años de 1930 fue a los Estados Unidos, donde pintó grandes murales en San Francisco.

Durante un viaje a Yucatán, Diego Rivera sintió el impacto de la cultura maya, y en 1931 ilustró con 21 acuarelas una edición del "Popol Vuh", uno de los libros más antiguos de los quichés, pueblo del cuál descienden los mayas.


Rivera se encantó con el mundo prehispánico que se desarrolló como una sociedad avanzada en la que la astronomía y las matemáticas, la pintura, la arquitectura y la danza, la escultura y la poesía eran medios de expresión y comprensión de su mundo y su cosmovisión del mismo.  

La religión era una parte fuerte de la vida de los pueblos nativos, y se expresó en la arquitectura monumental, como en Macchu Pichu en Perú, Tikal en Guatemala, Teotihuacán, Tajín Chichen Itza y Palenque en México.
La comprensión del cosmos por los mayas, en este caso, nos demuestra un aspecto importante de esta civilización, tal como se encuentra en las obras murales de Diego Rivera.

Con un profundo sentido mitológico, el Popol Vuh es considerada la Biblia de los Mayas y en su contenido describe la creación del mundo y del hombre, el carácter de sus divinidades y la lucha eterna entre el bien y el mal.

JV. São Paulo, 5 de abril de 2018.